21/06/2013-Veja SP - Antônio Cavalcante

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Demoro umas três horas por dia para montar os 120 tipos de quitutes", conta 
21.jun.2013 por Danila Moura 

Todas as madrugadas, quando fecha as portas do Elidio Bar, na Mooca, o garçom Antônio Cavalcante, de 52 anos, tem a sensação de que está se esquecendo de algo. “Ligo o alarme e sinto um vazio”, confessa. O buraco tem motivo: há um ano, perdeu o amigo e ex-chefe, o italiano Elidio Raimondi, que batiza a tradicional casa. “Muito mais do que patrão, ele era um parceiro”, diz. Considerado um patrimônio da região, o estabelecimento funciona há 53 anos — destes, 33 com o trabalho diário de Cavalcante. “Quando comecei, só existiam três bares desse tipo aqui em volta. Hoje são dezenas, já perdemos a conta”, afirma.
Um de seus hábitos diários é montar os potes com acepipes, um dos carros-chefe do estabelecimento, seguindo as receitas ensinadas pelo ex-patrão, anos atrás. “Chego cedo e demoro umas três horas para fazer os 120 tipos de quitutes”, explica. O jeito atencioso lhe rendeu em duas ocasiões o prêmio de melhor garçom no antigo concurso Boteco Bohemia. Vizinho do campo do Juventus, o Elidio tem clientela formada por muitos ex-jogadores: Rivellino, por exemplo, ex-Corinthians e seleção brasileira, é figura carimbada. As paredes são repletas de autógrafos de craques de diferentes décadas. Recentemente, o buraco no peito foi aliviado. “Sonhei que seu Elidio me pedia para manter o bar do mesmo jeito”, conta Cavalcante.

Danila Moura

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